quarta-feira, 18 de maio de 2011

Melhor me seria ter nascido tonto

    "Pelo espelho ela vê entrar a mãe e solta a espada que cai com o rumor de um canhão e da Joana tamanho pulo que toda a sua cara fica metida debaixo da chapéu de abas imensas, não estou brincando, zanga ante o riso da mãe e sua mãe ri muito e Joana livra-se do chapéu e lhe aparece os bigodões  de carvão que ela tinha feito no seu próprio rosto mal navegavam as perninhas de Joana nas imensas botas de couro tropeça e cai no chão e chuta, humilhada, furiosa a mãe não para de rir e ai Joana diz sobre protesto com água nos olhos; eu não estou brincando mãe eu sou homem, eu sou um homem eu irei a universidade porque eu sou um homem a mãe acaricia sua cabeça e diz: Ah minha filha doidinha, minha bela Joana deveria te açoitar por estas indecências de dizer que tu queres ir a universidade senta-se ao seu lado e docemente diz; mas te valia ter nascido tonta  minha pobre menina, mas te valia ter nascido tonta minha pobre filha minha pobre menina e a acaricia enquanto Joana empapa de lágrimas a imensa capa do avô."

Dizem que chorar dá cicatriz na alma, mas tem uma coisa só tem cicatriz na alma quem não se ajoelhou covardemente, quem não deixou o campo de batalha quem não se dobrou ante a imunducie e hediondidade deste mundo. 

Talvez assim como a mãe falou pra sua filha que melhor lhe seria ter nascido tonta, talvez muito mais cômodo hoje me seria ter nascido demagogo, conivente com o erro, e com falácias imorais aceitar e justificar aquilo que é inaceitável e injustificável. 

Porém a história é a mesma só mudam os personagens, se bem que digo e repito a quem quiser que um eu já sabia o nome, pois me foi anunciado a exatos dois anos atrás.

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